ARTIGOS

Ao introduzir mecanismos de tributação mínima sobre altas rendas, o País começa a enfrentar algumas distorções do sistema. POR TERESA RUAS , LEANDRO HORIE , THAIANY BARBOSA E CLAIR HICKMANN Os novos dados da PNAD Contínua sobre rendimento de todas as fontes mostram que a renda média da população brasileira voltou a crescer e mais pessoas passaram a ter algum tipo de rendimento. Esse movimento está associado à recuperação do mercado de trabalho, à valorização do salário mínimo e à retomada de políticas sociais nos últimos anos. Ao mesmo tempo, os números confirmam que a concentração de renda segue sendo uma característica estrutural do País. A renda dos mais pobres cresceu, mas em ritmo muito menor do que a dos mais ricos. Entre os 10% de maior renda, os ganhos aumentaram cerca de 8,7%. Já entre os segmentos mais pobres, o crescimento foi de pouco mais de 3%. A distância entre o topo e a base da pirâmide continua enorme: os 10% mais ricos recebem, em média, quase 14 vezes mais do que os 40% mais pobres. Esse padrão não é uma novidade. No Brasil, quando a economia melhora, a renda tende a subir para todos, mas sobe muito mais rápido para quem já está no topo da distribuição. Parte importante dessa dinâmica está ligada à forma como o sistema tributário brasileiro foi construído. O País tributa fortemente o consumo e os salários, enquanto grandes rendas, lucros e patrimônios recebem tratamento muito mais favorável. Isso significa que trabalhadores e trabalhadoras acabam pagando proporcionalmente mais impostos do que quem concentra riqueza. Estudos recentes baseados em dados da Receita Federal enfatizam essa distorção. Nota técnica do economista Sérgio Gobetti indica que a progressividade do sistema praticamente desaparece no topo da distribuição de renda. Contribuintes com renda anual média de cerca de R$ 449 mil pagam uma alíquota efetiva próxima de 14%. Entre os extremamente ricos, com renda média superior a R$ 26 milhões por ano, a carga cai para cerca de 12,9%. Em outras palavras, o 0,01% mais rico paga proporcionalmente algo semelhante ao que paga um trabalhador que recebe cerca de R$ 6 mil por mês. Outro estudo, realizado em parceria entre a Receita Federal e o EU Tax Observatory, chega a conclusões semelhantes. De acordo com os dados divulgados, os milionários em dólar no País – pessoas que recebem mais de cerca de R$ 5,5 milhões por ano pagam uma alíquota efetiva total de aproximadamente 20,6% quando considerados todos os tributos. Já o brasileiro médio enfrenta uma carga de cerca de 42,5%. Ou seja, proporcionalmente, quem está no topo contribui muito menos. Nesse sentido, é importante pontuar que a maior parte da população vive de salários, que são tributados diretamente e consumidos quase integralmente com despesas básicas, também tributadas de forma indireta. Já entre os mais ricos, uma parcela substantiva da renda vem de lucros, dividendos e aplicações financeiras, rendimentos que historicamente receberam tratamento tributário mais favorável. Isso permite que uma parte muito maior da renda permaneça disponível para novos investimentos e aquisição de patrimônios, pouco tributados ou isentos, ampliando a capacidade de acumulação de riqueza ao longo do tempo. Esse quadro ajuda a explicar por que as desigualdades persistem no Brasil mesmo em períodos de crescimento econômico. É também importante ressaltar que a distribuição da renda no País é atravessada por desigualdades estruturais de raça e gênero. As faixas de menor renda seguem sendo ocupadas majoritariamente por trabalhadores e trabalhadoras negras, que recebem salários menores, enfrentam maior informalidade e têm acesso mais restrito a oportunidades econômicas. Quando o sistema tributário concentra sua arrecadação em impostos sobre consumo e salários, ele acaba reforçando essa estrutura desigual. Por isso, em um País marcado por séculos de escravidão e hierarquias de gênero arraigadas, discutir justiça tributária também é discutir reparação. A recente reforma da tributação sobre a renda representa um passo importante nesse cenário. Ao introduzir mecanismos de tributação mínima sobre altas rendas, o País começa a enfrentar algumas distorções do sistema. Os efeitos dessas mudanças, no entanto, começarão a aparecer apenas a partir de 2026. Além disso, os dados recém divulgados reforçam que esse processo precisa avançar muito mais. A partir desse diagnóstico, estamos construindo a campanha “Taxar os Super-ricos: justiça tributária começa no topo”, composta por 79 organizações da sociedade civil, entre movimentos populares, centrais sindicais, entidades estudantis, organizações feministas e do movimento negro, com atuação em 15 estados. A operativa da campanha reúne o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST), a Oxfam Brasil, a Rede Jubileu Sul Brasil, o Instituto de Justiça Fiscal (IJF), a Plataforma Justa e o Instituto de Referência Negra Peregum. O objetivo é colocar a justiça tributária no centro do debate público e ampliar a pressão por mudanças estruturais no sistema fiscal brasileiro. Entre as principais bandeiras da campanha estão a taxação efetiva dos super-ricos, a revisão de benefícios e privilégios fiscais que drenam recursos públicos, o fortalecimento da seguridade social e dos serviços públicos, além da construção de um sistema tributário capaz de enfrentar desigualdades de renda, raça e gênero. Mais do que uma discussão técnica, trata-se de decidir quem financia o Estado e qual projeto de País se pretende construir. Taxar os super-ricos é parte de um esforço para enfrentar privilégios que se reproduzem também por meio da tributação e reduzir desigualdades que continuam estruturando a sociedade brasileira. (Os autores deste artigo integram a campanha Taxar os Super-ricos: justiça tributária começa no topo). Teresa Ruas – Assessora política do InescLeandro Horie – Economista do DieeseThaiany Barbosa – Articuladora no Instituto de Referência Negra Peregum/UneafroClair Hickmann – Presidente do Instituto Justiça Fiscal (IJF) Fonte: https://www.cartacapital.com.br/artigo/renda-cresce-no-brasil-mas-concentracao-no-topo-reforca-urgencia-da-justica-tributaria/

por Dão Real Pereira dos Santos, Presidente do Sindifisco Nacional (Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal) Entidades tentam convencer a sociedade de que tributos são recursos retirados da população em favor do governo. Para confrontar a narrativa, basta observar a realidade de quem depende de políticas públicas para sobreviver Estamos no mês de maio e, em breve, entidades empresariais voltarão a promover campanhas contra os tributos. Há mais de duas décadas, organizações como a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas, no dia por eles intitulado como Dia da Liberdade de Impostos, tentam convencer a sociedade brasileira de que a carga tributária do país está entre as maiores do mundo e que os tributos significam recursos perdidos, retirados da população em favor do governo. Para confrontar essa narrativa, basta observar a realidade concreta de quem depende das políticas públicas para sobreviver, como é o caso, por exemplo, dos mais de 90% da população brasileira cuja renda mensal é inferior a dois salários-mínimos. Considerando uma família de quatro pessoas, com renda mensal R$ 3.200 e que gaste com tributos cerca R$ 1.280 por mês (as classes mais pobres pagam cerca 40% enquanto os mais ricos não pagam mais do que 20%), a pergunta que precisamos fazer é se, com esse valor, seria possível pagar educação privada para dois filhos, plano de saúde para quatro pessoas e aposentadoria para pelo menos uma pessoa. Evidentemente que não. O investimento mensal por aluno na escola pública é de aproximadamente R$ 450. Já na saúde pública, o gasto médio mensal por pessoa é de cerca de R$ 115. Isso significa que, para manter duas crianças na escola e quatro pessoas amparadas pelo SUS, o Estado investe, aproximadamente, R$ 1.360 por mês valor superior a todo o tributo pago por esta família. E essa conta sequer inclui benefícios sociais como Bolsa Família e auxílio-gás e benefícios previdenciários e todas as demais políticas públicas. Por trás dessas recorrentes campanhas contra os impostos o que existe, na prática, é a defesa da redução do Estado e da substituição dos direitos sociais por produtos do mercado. Afinal, quando saúde, educação e previdência deixam de ser garantidas coletivamente, tornam-se mercadorias acessíveis apenas para quem puder pagar. Além disso, o discurso de que o Brasil possui “a maior carga tributária do mundo” simplesmente não se sustenta. Comparado com os países da OCDE, nossa carga tributária não é das maiores e situa-se bem abaixo da média. Segundo o livro “Solidariedade Fiscal: desmistificando o nível de tributação e seu impacto no crescimento econômico”, publicado pelo Comsefaz, quando se considera a arrecadação tributária por habitante (indicador que revela a capacidade efetiva do Estado para financiar políticas públicas) o Brasil ocupa a 53ª posição no mundo, com cerca de US$ 4.726 anuais por cidadão. Esse valor é mais de três vezes inferior ao do Reino Unido e mais de quatro vezes inferior ao da Alemanha, por exemplo. Mesmo com esse baixo valor de arrecadação por pessoa, o Brasil investiu mais de R$ 240 bilhões em saúde pública em 2025. Foram também mais de R$ 177 bilhões para financiar a educação pública, R$ 158 bilhões destinados ao Bolsa Família e mais de R$ 1 trilhão para financiar aposentadorias e benefícios previdenciários. O país também possui o maior sistema público de transplantes do mundo. Em 2025, foram realizados mais de 30 mil transplantes de órgãos, sendo, aproximadamente, 85% financiados exclusivamente pelo SUS. Isso demonstra que os tributos pagos pela população não desaparecem, tampouco se perdem, eles retornam na forma de políticas públicas essenciais. Para a imensa maioria da população brasileira essas políticas são absolutamente indispensáveis para garantir condições mínimas de dignidade e de inclusão social. Por outro lado, isso não significa que tenhamos que ignorar os graves problemas do sistema tributário brasileiro. O Brasil possui um modelo profundamente regressivo, no qual os mais pobres pagam proporcionalmente a sua renda muito mais tributos do que os mais ricos. Mas essas injustiças do sistema tributário não podem servir como subterfúgios para demonizar os tributos e enfraquecer o financiamento das políticas públicas. Portanto, é preciso ficar atento. Quando começar a campanha contra os impostos, tenha em mente que o problema não são os tributos, mas sim a disputa pelo próprio modelo de Estado. O que está sendo verdadeiramente questionado são as políticas públicas e os direitos sociais previstos na Constituição. Demonizar os tributos não vai melhorar o sistema tributário, para torná-lo mais justo, pelo contrário, só serve para reduzir o Estado e a sua a capacidade para promover as necessárias políticas públicas. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/que-imposto-e-esse/2026/05/sindifisco-nacional-sem-tributos-nao-ha-politicas-publicas-nem-direitos.shtml?pwgt=kl3vvzlutmyvznv4wdvnk0l1qb2ivc8ybe5swfp95rfa7shu&utm_source=whatsapp&utm_medium=social&utm_campaign=compwagift

Por Rosa Angela Chieza O orçamento público é o coração das decisões do Estado. É nele que se define quem recebe recursos, quais políticas avançam e quais ficam para trás. Mais do que uma peça técnica, o orçamento expressa disputas políticas e revela prioridades. No Brasil, desde o primeiro orçamento votado em 1830, ele reflete conflitos sobre a organização da sociedade e sobre a quem o Estado deve servir. A Constituição Federal de 1988 estabeleceu um arranjo institucional claro: cabe ao Poder Executivo elaborar e executar o orçamento, enquanto ao Legislativo compete aprová-lo e fiscalizá-lo. Esse equilíbrio, no entanto, foi alterado nos últimos anos. A Emenda Constitucional 86/2015 foi aprovada em um contexto de crise política e ruptura institucional. Já as mudanças posteriores, entre 2019 e 2022, ocorreram durante um governo fragilizado, que negociou sua sustentação ampliando o poder do Congresso sobre o orçamento. O resultado foi a crescente incursão do Legislativo na execução orçamentária por meio das chamadas emendas impositivas, incluindo o chamado “orçamento secreto”. Na prática, houve transferência de competências do Executivo para o Legislativo na definição de obras e ações administrativas específicas. Isso gera distorções no planejamento estatal e reduz recursos destinados a políticas públicas essenciais, inclusive aquelas voltadas à erradicação da pobreza e à garantia de direitos fundamentais previstos na Constituição. Os números revelam a dimensão dessa mudança. Entre 2015 e 2026, o valor das emendas parlamentares saltou de R$ 9 bilhões para R$ 61 bilhões, passando a representar cerca de 25% do orçamento discricionário. Nenhum país do mundo destina parcela tão elevada de seu orçamento a emendas parlamentares. O que deveria ser um instrumento complementar tornou-se elemento central da execução orçamentária, muitas vezes sem transparência e sem critérios técnicos claros. O resultado são distorções no gasto público, riscos de desvios e redução de verbas para programas sociais, além de tensionar o funcionamento do regime presidencialista previsto na Constituição de 1988. Ampliar o debate público sobre o orçamento tornou-se, portanto, fundamental. Com esse objetivo, movimentos sociais, entidades da sociedade civil, sindicatos e organizações acadêmicas promovem, no dia 9 de março de 2026, das 18h às 21h, no Centro Cultural da UFRGS, em Porto Alegre, o debate “Emendas Parlamentares: a quem compete a gestão do Orçamento Público?”. A atividade é gratuita e aberta ao público. Rosa Angela ChiezaDiretora de Educação Fiscal do Instituto Justiça Fiscal e professora de Economia da UFRGS. Artigo publicado no Jornal do Comércio, de Porto Alegre/RSFonte:https://www.jornaldocomercio.com/opiniao/2026/03/1239538-o-orcamento-publico-em-disputa.html
NOTÍCIAS

Clemente Ganz defende novo projeto de desenvolvimento para enfrentar transformações que redefinem o Brasil
Sociólogo abriu o ciclo Diálogos IJF e apontou cinco mudanças estruturais que exigem um Estado forte, inovação produtiva e justiça fiscal As conquistas recentes na reconstrução de políticas públicas e na retomada do papel do Estado são importantes, mas estão longe de responder à profundidade das transformações que já remodelam o Brasil e o mundo. O alerta foi feito pelo sociólogo Clemente Ganz Lúcio durante a abertura do ciclo Diálogos IJF, promovido pelo Instituto Justiça Fiscal (IJF) na noite desta terça-feira (16). Integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável da Presidência da República e coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, Ganz sustentou que o país precisa olhar além da recuperação dos desmontes ocorridos entre 2016 e 2022 e construir um projeto nacional capaz de responder aos desafios tecnológicos, climáticos, demográficos, geopolíticos e democráticos que marcam o século XXI. “Estamos vivendo transformações profundas que rompem padrões econômicos, sociais e ambientais conhecidos. Não basta reparar os danos recentes. Precisamos compreender essas mudanças e construir uma estratégia de desenvolvimento capaz de responder a elas”, afirmou. Segundo o sociólogo, cinco grandes processos estão alterando simultaneamente a vida econômica e social. O primeiro deles é a transformação tecnológica, impulsionada pela inteligência artificial e por sistemas capazes de processar informações e tomar decisões de forma autônoma. Para ele, trata-se de uma mudança comparável às maiores revoluções produtivas da história, com impactos diretos sobre o trabalho, as relações sociais e a própria organização da economia. A segunda transformação é a crise climática. Ganz destacou que os efeitos do aquecimento global já superam previsões consideradas pessimistas há poucos anos. Secas prolongadas, enchentes e eventos extremos passaram a fazer parte da realidade, exigindo novas estratégias de desenvolvimento e adaptação. A mudança demográfica aparece como o terceiro grande desafio. O envelhecimento da população e a redução das taxas de natalidade devem levar o Brasil a uma trajetória de crescimento populacional cada vez menor, impondo desafios à produtividade, à previdência e às políticas de proteção social. No cenário internacional, a reorganização geopolítica da produção e a disputa industrial entre grandes potências constituem a quarta transformação. Para Ganz, o mundo vive um movimento de reindustrialização e redefinição das cadeias produtivas globais, criando oportunidades e riscos para países como o Brasil. O quinto processo é o avanço da extrema direita em diversas partes do mundo. O sociólogo alertou para os impactos da concentração de riqueza sobre a democracia e para o fortalecimento de discursos autoritários que enfraquecem instituições, direitos e mecanismos de participação social. Agregar valor para gerar desenvolvimento Ao analisar a posição brasileira diante dessas mudanças, Ganz defendeu uma estratégia voltada ao aumento da produtividade, à agregação de valor e à geração de empregos qualificados. “O Brasil não pode se contentar em exportar matéria-prima. Precisamos produzir conhecimento, tecnologia, produtos e serviços de maior valor agregado”, afirmou. Ele citou áreas em que o país possui vantagens competitivas, como saúde, energias renováveis, produção de alimentos e minerais estratégicos, mas ressaltou que transformar potencial em desenvolvimento exige investimento contínuo em ciência, pesquisa e inovação. Nesse processo, atribuiu ao Estado um papel central de planejamento, coordenação e financiamento. Para o sociólogo, o mercado, sozinho, não promove as transformações necessárias para uma economia mais sofisticada, sustentável e socialmente inclusiva. “Pesquisa, inovação, crédito, política industrial e financiamento são instrumentos estratégicos para qualquer projeto nacional de desenvolvimento”, argumentou. Justiça fiscal como condição para o futuro Ao longo da exposição, Ganz relacionou a agenda do desenvolvimento à necessidade de fortalecer a capacidade de investimento público. Segundo ele, a construção de uma economia mais dinâmica exige ampliar investimentos em infraestrutura, educação, saúde, cuidados e proteção social. O sociólogo observou que o Brasil investe atualmente cerca de 17% do PIB, percentual insuficiente para sustentar um ciclo robusto de transformação econômica. Também chamou atenção para a situação de milhões de trabalhadores sem proteção previdenciária e trabalhista, em um contexto marcado pela expansão da pejotização e das plataformas digitais. Nesse cenário, defendeu uma reforma tributária mais progressiva e mecanismos de financiamento capazes de sustentar o papel estratégico do Estado. “A agenda da justiça fiscal é fundamental. As mudanças recentes são importantes, mas insuficientes. Precisamos avançar na tributação progressiva para garantir capacidade de financiamento das políticas públicas e do desenvolvimento”, afirmou. Movimento sindical diante de uma nova realidade Durante o debate conduzido por Paulo Gil, diretor do Instituto Justiça Fiscal, Ganz também refletiu sobre os desafios do movimento sindical. Segundo ele, as organizações dos trabalhadores precisam se reinventar diante das novas formas de contratação, da plataformização da economia e das mudanças tecnológicas. Para o sociólogo, a defesa de melhores salários, redução da jornada, proteção previdenciária e direitos trabalhistas continua atual, mas requer novas formas de organização e representação. Ele citou como exemplo a recente ampliação do debate sobre a redução da jornada de trabalho e a proposta de isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil, demonstrando que mudanças consideradas improváveis podem ganhar força quando conectadas às demandas concretas da população. Ao encerrar sua participação, Ganz afirmou que o Brasil possui condições institucionais e econômicas para construir um novo ciclo de desenvolvimento, mas que isso depende da capacidade de mobilização da sociedade e da construção de consensos democráticos. “Temos uma oportunidade histórica. Recuperamos capacidades importantes, mas ainda há muito a construir. Precisamos de uma agenda positiva, de esperança e transformação. A sociedade espera isso de nós”, concluiu.

Instituto Justiça Fiscal lança ciclo de diálogos para ampliar o debate público sobre justiça tributária
Clemente Ganz Lúcio participa da primeira edição dos “Diálogos IJF” na próxima terça-feira (16), em transmissão ao vivo pelo YouTube Com a proposta de aproximar temas econômicos do cotidiano da população e ampliar a compreensão sobre o papel dos tributos na redução das desigualdades, o Instituto Justiça Fiscal (IJF) lança o ciclo de debates “Diálogos IJF”. A iniciativa reunirá especialistas, pesquisadores e lideranças de diferentes áreas para discutir os desafios da política fiscal brasileira e seus impactos na vida da sociedade.A estreia ocorre na próxima terça-feira, 16 de junho, às 19h, com o tema “Justiça Fiscal e o desafio de um Projeto Popular para o Brasil”. O convidado é Clemente Ganz Lúcio, integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS) da Presidência da República e coordenador do Fórum das Centrais Sindicais. Também integra o Conselho Deliberativo do IJF.Reconhecido nacionalmente por sua atuação nos campos do trabalho, do desenvolvimento e do diálogo social, Ganz abrirá uma série de encontros voltada à reflexão crítica sobre temas estratégicos para o país. A mediação será do auditor fiscal Paulo Gil, diretor do Instituto Justiça Fiscal e presidente eleito da entidade. Tributos: um tema que interessa a todosO ciclo parte da premissa de que a política fiscal não deve permanecer restrita aos especialistas. A forma como o Estado arrecada e distribui recursos influencia diretamente a qualidade dos serviços públicos, o financiamento de políticas sociais, a distribuição de oportunidades e o desenvolvimento econômico.Ao longo das próximas edições, o “Diálogos IJF” abordará temas como tributação da renda e do patrimônio, orçamento público, transparência fiscal, financiamento do Estado, concentração de riqueza e experiências internacionais de justiça tributária.“Mais do que um espaço de exposição de ideias, o ‘Diálogos IJF’ pretende ser uma arena permanente de reflexão democrática. Em um país marcado por profundas desigualdades, discutir quem paga impostos, quem se beneficia das políticas públicas e quais escolhas orientam o sistema tributário significa discutir o próprio projeto de sociedade que queremos construir”, afirma Paulo Gil. Formação para a cidadaniaA programação já conta com novos convidados confirmados. Em 2 de julho, participa o economista Pedro Humberto de Carvalho, especialista em política tributária do Ipea. No dia 21 de julho, o debate será com a tributarista Claudia de Césare. Em 11 de agosto, o convidado será João Carlos Loebens, Auditor Fiscal da Receita Estadual do Rio Grande do Sul, chefe da Divisão de Relacionamento com Cidadãos e Municípios e vice-presidente do Instituto Justiça Fiscal.Criado há 12 anos, o Instituto Justiça Fiscal tornou-se uma referência nacional na defesa de um sistema tributário mais justo, transparente e comprometido com a redução das desigualdades. A entidade produz estudos, análises e propostas sobre a estrutura tributária brasileira e integra, desde 2020, a campanha nacional Tributar os Super-Ricos, movimento que reúne organizações da sociedade civil em defesa de maior progressividade tributária. ServiçoDiálogos IJF – Justiça Fiscal e o desafio de um Projeto Popular para o BrasilData: 16 de junho de 2026 (terça-feira) – Horário: 19hConvidado: Clemente Ganz LúcioMediação: Paulo GilTransmissão: Canal do Instituto Justiça Fiscal no YouTube

Instituto Justiça Fiscal elege nova direção e reforça ofensiva por taxação dos super-ricos
O Instituto Justiça Fiscal (IJF) definiu sua nova direção para o período 2026-2028 e reafirmou como eixo estratégico da entidade a defesa de um sistema tributário mais justo, com foco na tributação da alta renda, das grandes fortunas e dos privilégios fiscais que aprofundam a desigualdade social no país. A nova presidência será exercida por Paulo Gil Hölck Introini, auditor fiscal aposentado da Receita Federal e uma das referências nacionais no debate sobre justiça tributária. A vice-presidência será ocupada por Clair Maria Hickmann, que esteve à frente da entidade na gestão anterior, e por João Carlos Loebens, da Receita Estadual do Rio Grande do Sul. Durante a Assembleia Geral realizada no dia 23 de maio, foi aprovada também a participação dos representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE), Rosilene Correa, da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), Walcir Previtale e do Fórum das Centrais Sindicais, Clemente Ganz Lucio, para compor as reuniões do Conselho Deliberativo do IJF. A posse ocorrerá em 1 de julho. Entre as prioridades do novo mandato estão a ampliação da campanha pela taxação dos super-ricos, a defesa da tributação de lucros e dividendos, a melhoria da progressividade no Imposto de Renda e a instituição do Imposto sobre Grandes Fortunas previsto na Constituição Federal. Para o Instituto, mesmo com alguns avanços, como a isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil, a reforma da tributação sobre renda e patrimônio permanece central para enfrentar desigualdades históricas e fortalecer políticas públicas. Estudos técnicos consolidam referência nacional Ao longo dos últimos anos, o Instituto Justiça Fiscal consolidou-se como uma das principais referências nacionais em estudos sobre desigualdade tributária e financiamento do Estado. A entidade produziu pesquisas e notas técnicas sobre temas centrais do debate econômico brasileiro, como a tributação de lucros e dividendos, o peso excessivo dos impostos sobre consumo, a concentração de renda e patrimônio e os impactos sociais das renúncias fiscais. Entre os trabalhos de maior repercussão estão os estudos sobre o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), revelando os efeitos do contencioso tributário sobre a arrecadação pública, além de pesquisas sobre equidade de gênero na tributação, subfaturamento da mineração, evasão fiscal internacional e mecanismos utilizados por grandes grupos econômicos para transferência artificial de lucros a paraísos fiscais. O Instituto também vem aprofundando análises sobre os desafios tributários latino-americanos, financiamento de políticas públicas, justiça climática e alternativas para fortalecer a capacidade de investimento do Estado brasileiro sem ampliar a carga tributária sobre trabalhadores e classe média. Campanha nacional ganha novo impulso O IJF segue entre as principais organizações articuladoras da campanha “Tributar os Super-Ricos”, iniciativa construída desde 2020 por dezenas de entidades da sociedade civil brasileira para pressionar mudanças na legislação tributária e ampliar o debate público sobre concentração de renda. A mobilização utiliza pesquisas, ações institucionais e materiais de comunicação popular, incluindo as histórias em quadrinhos do cartunista Renato Aroeira, que abordam de forma acessível distorções do sistema tributário brasileiro e os impactos sociais da baixa tributação sobre os mais ricos. Nos últimos anos o tema ganhou destaque e popularidade, contribuindo para alguns avanços. A causa ganhou dimensão internacional, especialmente após a defesa feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no âmbito do G20, onde o Brasil passou a impulsionar o debate global sobre taxação de bilionários e combate aos paraísos fiscais. Nova direção do IJF – Gestão 2026-2028 Presidente: Paulo Gil Hölck Introini1ª Vice-Presidenta: Clair Maria Hickmann2º Vice-Presidente: João Carlos Loebens Diretor Financeiro: Izabel TamiozoSecretário-Geral: Marcelo OliveiraSecretário-Executivo: Claudio Graziano Diretoria de Estudos Técnicos: Altair GarciaDiretoria Adjunta de Estudos Técnicos: Kamila Mendonça e Paulo Matsushita Diretoria de Relações Institucionais: Ricardo HaesbartDiretoria Adjunta de Relações Institucionais: Filipe Eich Diretoria de Cidadania e Educação Fiscal: Rosa ChiezaDiretoria Adjunta de Cidadania e Educação Fiscal: Maria Regina Paiva Duarte e Róber Iturriet Avila Diretoria de Comunicação: Carlos Eduardo Liberati Mantovani