Formatura celebra jovens multiplicadores da educação fiscal na Lomba do Pinheiro

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Entrega dos diplomas do curso de extensão da UFRGS reuniu estudantes, professores e parceiros e teve música, apresentações autorais e defesa da universidade pública e da justiça fiscal

A formatura de 40 jovens da Lomba do Pinheiro marcou, nesta quinta-feira (10), o encerramento da 15ª edição do Curso de Extensão em Educação Fiscal e Cidadania, promovido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Receita Federal do Brasil, Receita Estadual do Rio Grande do Sul, Receita Municipal de Porto Alegre e Instituto Justiça Fiscal (IJF).

A cerimônia de entrega dos diplomas celebrou uma trajetória de 30 horas de formação presencial, na qual estudantes com idades entre 15 e 18 anos discutiram justiça tributária, orçamento público, financiamento das políticas públicas, cidadania e controle social.

Dirigentes do IJF entregaram certificados e destacaram a importância da justice tributária para reduzir as desigualdades. Estavam presentes Maria Regina Paiva Duarte, João Carlos Loebens e Rosa Chieza.

A solenidade contou com a presença da diretora da Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS, professora Maria de Lourdes Furno da Silva. Em sua manifestação, ela ressaltou o caráter público da Universidade e destacou que ocupar seus espaços é um direito da população. Lembrou que a UFRGS está entre as melhores universidades do país e enfatizou que ela é pública, acessível e deve estar cada vez mais próxima da sociedade e das comunidades.

Justiça fiscal também se canta

A formatura teve a música como uma das protagonistas. Estudantes de graduação da Licenciatura em Música, do Bacharelado em Música e da Licenciatura em Dança da UFRGS apresentaram ao vivo canções indicadas pelos próprios jovens participantes do curso, com a coordenação da professora Marília Steine.

Os formandos também levaram ao palco uma criação musical própria, com letras inspiradas nos conteúdos trabalhados durante a formação. Justiça fiscal, participação na definição das políticas públicas e compreensão sobre quem financia o Estado ganharam ritmo, versos e voz.

As apresentações retomaram o espírito que marcou todo o curso. Na conclusão dos trabalhos, em julho, os jovens já haviam transformado conteúdos considerados complexos em rap, hip-hop, poesia, música, vídeos e fanzines, demonstrando que compreender os tributos significa também compreender como são financiados os direitos e serviços públicos.

Ao longo da formação, os estudantes discutiram quem paga impostos no Brasil, como os recursos públicos são arrecadados e distribuídos e de que maneira a sociedade pode participar das decisões sobre o orçamento. Entre os temas defendidos nos trabalhos esteve a regulamentação do Imposto sobre Grandes Fortunas, previsto na Constituição Federal desde 1988.

Conhecimento para multiplicar

Realizado no Centro da Juventude da Lomba do Pinheiro, o curso buscou aproximar universidade, poder público e comunidade e formar jovens capazes de multiplicar conhecimentos sobre educação fiscal e cidadania em seus próprios territórios.

Ao encerrar a cerimônia, a economista e coordenadora do curso Rosa Chieza, da UFRGS, sintetizou o sentido da formação recorrendo a duas referências sobre cidadania, coletividade e partilha.

De Alexis de Tocqueville, lembrou a frase: “O indivíduo é o pior inimigo do cidadão.”

E, com Emicida, em É Tudo pra Ontem (2020), encerrou: “Viver é partir, voltar e repartir.”

A formatura concluiu mais uma edição de uma experiência que há 15 anos forma jovens multiplicadores da educação fiscal e da cidadania, mostrando que conhecimento sobre tributos, orçamento e Estado pode sair das salas de aula, ganhar as comunidades — e se transformar em instrumento de participação social.