
O Instituto Justiça Fiscal (IJF) presta homenagem a José Carlos Martins, o Zé Martins, artista, educador popular, compositor e escritor que fez da cultura um instrumento permanente de luta por justiça social, democracia e integração latino-americana.
Neste momento em que se completa um mês de sua partida, sua ausência é especialmente sentida por duas pessoas que compartilharam com ele importantes caminhos de vida e militância e que também fazem parte do IJF: Dão Real Pereira dos Santos, presidente do Instituto e seu parceiro musical por mais de 40 anos, e a jornalista Kátia Marko, integrante da comunicação do IJF e sua companheira desde 2017.
Mais do que um extraordinário criador, Zé Martins foi um militante da esperança. Ao longo de sua trajetória, colocou a música, a poesia, as artes visuais e a educação popular a serviço das lutas dos povos, da solidariedade e da construção de uma América Latina mais fraterna e soberana.
Fundador do Grupo Unamérica, fez da arte uma ferramenta de reflexão, organização e mobilização social. Com Dão, construiu ao longo de mais de quatro décadas um projeto cultural que ultrapassou fronteiras, aproximou povos, valorizou a identidade latino-americana e reafirmou a cultura como parte essencial da luta contra as desigualdades.
Com Kátia, compartilhou, além da vida, o compromisso com causas como a reforma agrária, a produção e a alimentação orgânicas, a soberania alimentar e a democratização da comunicação. Nessa caminhada, Zé colocou sua arte e sua sensibilidade a serviço da mobilização, do fortalecimento dos movimentos sociais e da defesa de um Brasil mais democrático e solidário.
São esses vínculos que aproximam também sua trajetória da história do Instituto Justiça Fiscal e expressam algo que atravessou toda a sua vida: a capacidade de transformar encontros, afetos, convicções e lutas em criação coletiva.
Como lembrou Dão Real em sua despedida, Zé Martins era “um homem de causas”, alguém que transformava tudo o que tocava em arte e compreendia a cultura como instrumento de transformação coletiva.
É esse legado que permanece. Está em suas canções, poemas, obras e ensinamentos, mas, sobretudo, nas pessoas, organizações e movimentos que encontrou e inspirou ao longo da vida.
O Instituto Justiça Fiscal reconhece a imensa contribuição de Zé Martins às causas populares e guarda o privilégio de sua convivência, de sua arte e de sua generosidade.
Sua voz seguirá ecoando nas lutas por justiça fiscal e social, pela democracia, pela soberania e pela integração dos povos latino-americanos. E seu exemplo continuará inspirando aqueles que, como ele, acreditam que a cultura não apenas interpreta o mundo: ajuda a transformá-lo.