Campanha Nacional tensiona debate sobre justiça tributária em ano eleitoral

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Num país em que o peso dos impostos recai desproporcionalmente sobre quem vive do trabalho, uma ampla articulação nacional decidiu tensionar o debate público e político: é preciso inverter a lógica e começar a tributar o topo da pirâmide. Com esse objetivo, mais de 50 organizações da sociedade civil, movimentos sociais e parlamentares lançaram a campanha “Taxar os Super-ricos: justiça tributária começa do topo”, iniciativa que já reúne dezenas de entidades e busca pressionar o Congresso por mudanças estruturais no sistema fiscal brasileiro.

A mobilização parte de um diagnóstico compartilhado: o modelo tributário brasileiro, fortemente baseado no consumo, faz com que trabalhadores e população de baixa renda paguem, proporcionalmente, mais impostos do que os mais ricos — aprofundando desigualdades históricas.

A campanha apresenta um conjunto articulado de propostas que apontam para uma reconfiguração do sistema tributário: a criação de uma tabela progressiva única para rendas do trabalho e do capital, o fim da isenção sobre lucros e dividendos — vigente desde 1996 — e a regulamentação do Imposto sobre Grandes Fortunas, previsto na Constituição, são alguns dos eixos centrais. As medidas buscam redistribuir a carga tributária e ampliar a capacidade do Estado de financiar políticas públicas essenciais.

O Instituto Justiça Fiscal é um dos formuladores das propostas para fortalecer a construção de alternativas e na qualificação do debate público sobre justiça fiscal no país. “Um modelo que penaliza mais o trabalho do que o capital”, afirmou a presidenta do IJF, Clair Hickman, presente no ato realizado em 8/4, no Auditório Nereu Ramos, na Câmara. 

Pressão social gera mudanças

Mais do que um pacote técnico, o lançamento deixou evidente que a disputa é política. Lideranças destacaram que mudanças dessa magnitude dependem da pressão social organizada para enfrentar interesses historicamente enraizados no Congresso Nacional. Uma articulação que pretende reposicionar o debate econômico no país a partir de uma pergunta simples — e incômoda: quem, de fato, paga a conta do Brasil?

Em ano eleitoral, a estratégia também passa por tensionar candidatos e candidatas, colocando a justiça tributária no centro das disputas políticas e cobrando compromissos concretos com a redução das desigualdades. A expectativa das entidades é transformar o tema em pauta incontornável do país — não apenas como agenda econômica, mas como condição para garantir direitos e reequilibrar o país.

Redistribuir o peso fiscal

Há cinco anos o IJF integra um movimento nacional que utiliza histórias em quadrinhos, desenhadas pelo cartunista Aroeira, para explicar, de forma acessível, as distorções do sistema tributário brasileiro. que aposta na democratização do conhecimento como estratégia de transformação.

Ao traduzir um tema complexo para linguagens populares, a iniciativa contribui para ampliar a consciência crítica sobre como os impostos incidem no cotidiano — do preço dos alimentos ao custo do gás de cozinha — e para fortalecer a participação social na defesa de um sistema mais justo. O IJF também integra uma articulação institucional para a formação de mobilizadores e à ampliação do debate nos territórios. Neste mês iniciou a 15ª edição do curso de extensão Educação Fiscal e Cidadania, voltado a jovens do bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre.

Confira a lista que integra a campanha:

  1. Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs)
  2. Associação dos/as Agricultores e Moradores do Engenho Rochedo
  3. Associação Mulheres EIG – Evangélicas pela Igualdade de Gênero
  4. Campanha Nacional pelo Direito à Educação
  5. Casa Cultural Marielle Franco Brasil
  6. Centro de Direitos Humanos e Educação Popular do Campo Limpo (CDHEP)
  7. Centro Palmares de Estudos e Assessoria por Direitos
  8. Centro Santo Dias de Direitos Humanos
  9. Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE)
  10. Coletiva Mahin – Organização de Mulheres Negras pelos Direitos Humanos
  11. Coletiva Todas Unidas
  12. Coletivo de Mulheres Negras Maria Maria Comunema
  13. Comitê Popular de Luta dos Bancários de Pernambuco
  14. Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB)
  15. Cunhã Coletivo Feminista
  16. CUT Pernambuco
  17. Dieese
  18. Famílias Atípicas Amar
  19. Fórum da Amazônia Oriental (Faor)
  20. Frente de Evangélicos pelo Estado Democrático de Direitos
  21. Geledés – Instituto da Mulher Negra
  22. Grupo de Mulheres Negras Malunga
  23. Grupo de Pesquisa Tributação e Gênero – FGV Direito SP
  24. Instituto Justiça Fiscal (IJF)
  25. Intersindical – Central da Classe Trabalhadora
  26. Instituto Carlos Campos
  27. Instituto de Direitos Humanos IDhES
  28. Instituto de Referência Negra Peregum
  29. Instituto EcoVida
  30. Instituto Soma Brasil
  31. ISP
  32. Levante Popular da Juventude
  33. Mãos Solidárias
  34. Movimento Brasil Popular
  35. Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos
  36. Movimento Negro Unificado
  37. Movimento Tarifa Zero RJ
  38. Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
  39. N’zinga Coletivo de Mulheres Negras de BH (MG)
  40. Núcleo Marielle Franco
  41. Oxfam Brasil
  42. Pacová – Articulação de Cooperação do Campo à Cidade
  43. Plataforma Justa
  44. Poder de Preta / Undeke
  45. Projeto Brasil Popular
  46. Rede Jubileu Sul Brasil
  47. Sankofa.JUR e Afro-Gabinete de Articulação Institucional e Jurídica (Aganju)
  48. SOS Corpo
  49. Undeke
  50. Uneafro
  51. União Nacional dos Estudantes
  52. Levante Popular da Juventude